Conte sua história

Dando cores ao sonho

A empresa de Tiago Soares e do irmão, Rubens, deslanchou quando eles decidiram focar em tintas

“Eu e meu irmão Rubens sempre fomos muito amigos e tínhamos o desejo de empreender juntos. Com 9 anos, eu trabalhava com meu tio na loja de construção dele e meu irmão, com a minha mãe em um empório da família. Quando eu tinha 12 anos, perdemos o nosso pai e ele nos deixou uma casa por terminar como herança. Nosso sonho era concluir a reforma do imóvel.

Em 1997, meu irmão veio trabalhar comigo, mas o salário era muito baixo para realizar o nosso objetivo, então, no ano seguinte, ele ingressou em um curso de técnico em eletrônica. Em 2000, Rubens arrumou um emprego de técnico em eletrônica na USP. Eu ainda trabalhava com o meu tio, só que em uma posição de liderança. Porém, ainda ganhava pouco e decidi fazer o mesmo curso que ele. Meu pensamento era estudar e conseguir um emprego, mas meu ideal sempre foi empreender. No curso, um professor abriu meus olhos para o empreendedorismo. Ele me mostrou vários caminhos e um deles era procurar o Sebrae. Mas o mais importante foi me aconselhar a ir atrás do que eu gostava e não apenas querer ganhar dinheiro.

Acabei entrando como estagiário em uma empresa de tecnologia em 2001. Foi uma virada de chave, pois até então trabalhava com meu tio e pouco tempo depois estava engravatado com uma mesa só para mim, dentro de uma das maiores empresas do setor de tecnologia do mundo. Receosos com a crise que o Brasil passou em 2002, eu e Rubens começamos a pensar em empreender. Tive a ideia de usar a loja do meu tio como algo paralelo. A casa de construção dele tinha um estoque muito grande e minha ideia era fazer um ponto de venda em outro local para dar saída aos produtos. Porém, meu tio apenas dizia que iria pensar no assunto.

Em 2003, fomos dispensados de nossos empregos. Foi quando meu tio finalmente disse que aceitaria nossa proposta. Alugamos um local e começamos a nossa casa de construção. A loja era pequena e, como eu e meu irmão éramos muito novos, ninguém confiava em nós. Para garantir as vendas, tínhamos de ir de bicicleta até a loja do meu tio, pegar a máquina de cartões, porque ainda não tínhamos CNPJ.

Em 2004, começamos a ganhar relevância no bairro. Decidimos comprar uma caminhonete para ajudar nas entregas e alugamos um local maior, de 100m². Naquela época, existia um programa habitacional para a compra de material de construção. O cliente chegava na loja, deixava os documentos e depois de 30 dias o crédito era aprovado. Isso ajudou bastante a termos capital, tanto que passamos a ter seis funcionários. Em 2006, fizemos o Empretec pelo Sebrae-SP e decidimos ir para um salão de 220m². Aumentamos também a frota para entrega.

No começo de 2007 o programa de financiamento foi cancelado e nosso caixa quebrou. Sem crédito para continuar, a loja começou a empilhar dividas. O alívio foi uma compra grande feita por um cliente. Organizamos as contas e voltamos ao Sebrae. Com as consultorias e os cursos identificamos que a empresa precisava mudar. Concluímos que nossa região era carente de um mercado de tintas. Não havia uma loja que fizesse a cor na hora.

Investimos no maquinário e começamos em 2012. Voltamos para o Sebrae para nos capacitar mais e entender esse mercado. Para o nosso negócio começar a ficar conhecido, tivemos a ideia de pintar a casa das pessoas e fazer o ‘antes e depois’. Deu certo. Hoje estamos com duas lojas, uma em Barueri e outra em Jandira, e conseguimos ter um crescimento de 23% no faturamento em 2020 na comparação com 2019.

Minha dica para quem tem o desejo de começar a empreender é seguir o seu coração. Faça o que você gosta; o retorno financeiro é a última coisa em que deve se pensar quando se está trabalhando feliz.”

*Estagiário sob supervisão dos editores