Entrevista do mês

Além de atriz consagrada, Cristiana Oliveira também é dona de marcas de cosméticos e joias

Cristiana atua como diretora de comunicação da D’Bianco, marca de cosméticos do qual também é sócia, além da C.O. Joias e C.O. Cosméticos

Para muitos brasileiros, o nome Cristiana Oliveira é suficiente para despertar as lembranças de diversas produções da TV nacional. Mesmo com a fama, a eterna Juma, da novela Pantanal, agora se aventura menos entre as câmeras e mais entre os desafios de empreender com as próprias marcas. Atualmente, Cristiana atua como diretora de comunicação da D’Bianco, marca de cosméticos do qual também é sócia, além da C.O. Joias e C.O. Cosméticos. Ela conta ao Jornal de Negócios sobre a jornada, os aprendizados e os desafios da vida de empresária.

Quando surgiu a vontade de empreender?

Eu me lembro quando tinha cerca de 10 anos de idade e pegava algumas revistas em quadrinhos antigas ou fazia brincos e colares para vender para as pessoas que passavam na porta da minha casa. Então, eu sempre tive uma “veia empreendedora” e sempre quis investir meu dinheiro em algo em que pudesse ser ativa, porque a carreira de atriz é muito instável. Porém, confesso que tinha muito medo de fracassar. Quanto mais planejava e ia adicionando detalhes ao projeto, esse receio me paralisava. Isso realmente aconteceu em 2014, quando me afastei da Rede Globo, e senti a necessidade de fazer alguma coisa, mas que fosse algo que gostasse, não focando só no dinheiro.

O que levou você a escolher o mercado de beleza e semijoias?

Desde a adolescência sempre gostei muito de joias e do significado de algumas serem eternas, passando de mãe para filha, mas não sou uma designer. Foi então que conversei com quem tinha essa habilidade, só que a logística disso tudo ficou muito complicada. Fui atrás de fornecedores de semijoias que correspondiam à minha expectativa. Comecei a comprar esses produtos e fazer viagens pelo Brasil para realizar as divulgações que fizeram, na época, a C.O. Joias mais conhecida. Só que foram aparecendo trabalhos paralelos no cinema. Como eu era a gestora, quando me ausentava, a marca parava. Foi aí que percebi que precisava fazer alguma outra coisa em que pudesse investir. O mercado de beleza surgiu quando estava buscando uma coisa mais consistente e um casal de amigos, que possui uma marca de produtos sensuais, quis me apresentar o dono da fábrica. Na época, ele tinha interesse em desenvolver um perfume com meu nome, no esquema de licenciamento. Nós tivemos essa conversa e nos demos muito bem; ele viu em mim essa vontade de empreender. Depois de conhecer os produtos de beleza que ele fabricava, comecei a distribuir para amigos meus para receber um feedback. Foi aí que percebi que estava com um produto de excelência nas mãos.

Você passou por alguma preparação para empreender?

Quando entrei em contato com os produtos da D’Bianco, fui fazer todo um treinamento técnico da química, ingredientes, fragrâncias para entender de onde tudo isso vinha, pois me considero muito rigorosa com os detalhes. Isso me fez fechar o acordo para ter uma parte da sociedade. Só que pedi para ter alguma atividade no operacional da marca. Fui atrás de diversos cursos, conteúdos de pesquisa e vídeos para somar ao meu conhecimento teórico. Isso me fez ser escolhida para ser a diretora de comunicação da marca. Eu lido com os clientes do Brasil para entender as necessidades e dores para aplicarmos melhor os produtos.

Quais foram os desafios que você encontrou ao lidar com seus negócios?

Eu enfrento desafios todos os dias. Estamos em um mercado extremamente competitivo, não só por conta de marcas nacionais que são muito fortes, mas também por causa das marcas internacionais, que estão consolidadas por aqui e nosso País tem essa herança de gostar de coisas de fora. É muito difícil entrar com uma marca nova nos salões, então existe todo um trabalho de venda e apresentação das qualidades da D’Bianco. Hoje meu trabalho é de formiguinha, mas tento sempre trabalhar o diferencial que é a maneira que trato as pessoas. Manter o relacionamento com os clientes pela internet é ótimo, mas não substitui essa coisa de poder falar com as pessoas, seja em uma reunião ou por ligação, porque isso gera uma segurança para confiar. Então sustentar uma marca é muito difícil, porque ela não é muito conhecida no mercado.

Que planos você tem para o futuro da D’Bianco e a C.O. Cosméticos?

Eu não gosto muito de falar de crise, porque temos que dar um jeito de driblar isso. Porém, pensar no futuro é complicado, porque os salões estão fechados, então precisamos começar a investir em ideias de tratamentos capilares que possam ser realizados em casa. Estamos desenvolvendo equipes para estimular profissionais a realizar esse tipo de trabalho, seguindo todos os protocolos de segurança. Isso sem esquecer do desenvolvimento da C.O. Cosméticos, pois é focada na venda porta a porta. Para isso, estamos buscando formas de inovar e nos reinventar para não sermos pegos de surpresa.

Como mãe de Rafaella e Antônia, quais conselhos você daria para mulheres e mães que desejam começar a empreender?

Vou utilizar uma frase da Gaya Machado, profissional que participou do Sebrae Delas comigo: “Qual é o menor passo que você pode dar? Dê esse passo menor”. Existem diversas histórias de pessoas que começaram com nada e alcançaram o sucesso apenas com trabalho. Mulheres que são mães têm uma grande dificuldade para realizar isso e é preciso achar uma forma de driblar esses obstáculos. Não será fácil, mas é preciso subir um degrau de cada vez, então dê o primeiro passo.