Indicadores

Pequenos negócios têm alta no faturamento no primeiro semestre

Receita das micro e pequenas empresas paulistas cresceu 6,3% em relação ao mesmo período de 2018; setor industrial e Grande ABC puxaram aumento

O primeiro semestre de 2019 fechou com aumento de 6,3% no faturamento das micro e pequenas empresas do Estado de São Paulo em relação ao mesmo semestre de 2018, revela a pesquisa Indicadores Sebrae-SP, realizada em parceria com a Fundação Seade. Os resultados já descontam a inflação do período. A alta foi puxada pelos pequenos negócios do setor da indústria, que tiveram acréscimo de 15,8% no faturamento, seguido pelo comércio (5,4%) e serviços (4,2%). A receita total das MPEs paulistas nos primeiros seis meses do ano totalizou R$ 403,4 bilhões.

Em relação às regiões do Estado, o maior crescimento no faturamento foi registrado no Grande ABC, com 11,8%. O município de São Paulo manteve-se praticamente estável na comparação entre os semestres, com 0,3% de aumento. Os dados refletem uma recuperação modesta do consumo em 2019. Tanto as pequenas indústrias quanto a região do Grande ABC foram as mais afetadas durante o período de recessão econômica entre 2014 e 2016.

“A receita das micro e pequenas empresas é muito influenciada pelo consumo interno. Os números mostram uma tendência de retomada desse consumo, mas o cenário ainda é de incerteza”, afirma o diretor-superintendente do Sebrae-SP, Wilson Poit. “Por isso, recomendamos aos empreendedores que se planejem para reduzir os riscos e para, eventualmente, aproveitar um segundo semestre mais promissor”, completa.

A pesquisa também traz os resultados de junho de 2019, último mês do semestre. Em relação a maio, o faturamento dos micro e pequenas empresas caiu 4,2%. O pior resultado foi registrado no comércio, com -7,6%. O fato de junho ter tido dois dias úteis a menos que maio pode ter contribuído para esse resultado. Quando esse fator sazonal é retirado, chega-se a um aumento de 0,5% no faturamento real na média das MPEs.

Já em relação ao pessoal ocupado nas MPEs, o mês de junho de 2019 registrou um acréscimo de 4,2% em relação a junho de 2018. O rendimento desses funcionários, já descontada a inflação, foi 1,8% maior na comparação entre os mesmos meses.

A pesquisa Indicadores também perguntou aos donos de pequenos negócios sobre suas expectativas para os seis meses seguintes (em relação a julho/19). Para 45% deles, a economia vai se manter como está, enquanto que 41% acreditam que vai melhorar.

Na opinião de 8%, a economia vai piorar, e 7% não sabem responder. Em julho de 2018, 23% não sabiam responder, ao passo que apenas 18% acreditavam em uma melhora e 10% achavam que ia piorar. Quando perguntados sobre o faturamento da própria empresa, 52% esperam que se mantenha igual nos meses seguintes. Para 34%, o faturamento vai melhorar, enquanto que para 6% vai piorar.

MEIs
Na contramão das demais categorias de pequenos negócios, os Microempreendedores Individuais (MEIs) paulistas tiveram uma variação de -0,7% no faturamento do primeiro semestre de 2019 em relação ao mesmo período do ano anterior. Por setores, o pior resultado foi o do comércio, com -3,3%, enquanto que os MEIs da indústria registraram crescimento de 1,8% e os do setor de serviços, 0,6%. A Região Metropolitana de São Paulo puxou para baixo o resultado, com -3% de faturamento na comparação entre os semestres. No interior, o resultado foi positivo em 2,2%. A receita total dos MEIs do Estado no semestre foi de R$ 24,1 bilhões.

 

Sobre a pesquisa
A pesquisa Indicadores Sebrae-SP foi realizada com apoio da Fundação Seade. Foram entrevistados 1,7 mil proprietários de MPEs e 1 mil MEIs do Estado de São Paulo durante o mês de referência. No levantamento, as MPEs são definidas como empresas de comércio e serviços com até 49 empregados e empresas da indústria de transformação com até 99 empregados, com faturamento bruto anual até R$ 4,8 milhões. Os MEIs são definidos como os empreendedores registrados sob essa figura jurídica, conforme atividades permitidas pela Lei 128/2008. Os dados reais apresentados foram deflacionados pelo INPC-IBGE.