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O administrador que transformou o sítio da família em negócio no campo

Erico Kolya deixou a vida corporativa para investir no seu projeto no campo, o Pé do Morro, na Serra do Japi

“Sou formado em administração pública e trabalhei durante seis anos em uma multinacional alemã. Foi no último ano de empresa, em 2015, que decidi sair e trabalhar com algumas coisas com que eu me identificava. O projeto era trabalhar em algumas propriedades rurais com vinho, queijo, azeite e cerveja. Entrei em contato com alguns produtores, contando o meu projeto e perguntando se poderia trabalhar para aprender o ofício.

Eu sempre fui muito ligado ao campo, e quando tive uma oportunidade de me desligar do meu antigo emprego juntei toda a minha vontade e coragem, saí do mundo coorporativo e comecei a trabalhar com a terra. Passei um tempo em uma espécie de imersão na vida rural. Morei dois meses na Argentina trabalhando com vinho, um mês na Alemanha trabalhando com queijo em uma fazenda biodinâmica e outros dois meses nos Alpes, na Suíça, com gado e queijo. Eu trocava meu trabalho por cama, comida e aprendizado. Morei com pessoas incríveis que, além de me mostrarem a parte técnica dessas produções, me ensinaram muito sobre a vida.

Em setembro de 2016, eu voltei ao Brasil e junto com o meu pai começamos a transformar o nosso sítio, o 7 Luas, ao pé da Serra do Japi, em Cabreúva. Plantamos uvas e oliveiras, organizávamos mutirões com amigos e o projeto Pé do Morro foi nascendo. Comecei a arriscar os primeiros queijos, visitei produtores, aprendi como o queijo era feito nas nossas regiões tradicionais e aos poucos o negócio foi crescendo. Mais tarde chegou o Nícolas Berbardo,
que trouxe muito conhecimento técnico, e agora toca a queijaria com a ajuda da Nancy Portillo, e a Nathalia
Oliveira, estagiária vinda de um colégio agrícola em Jundiaí. 

Nossos queijos crescem e se desenvolvem com o projeto. Hoje são cinco tipos. Queremos testar processos novos, maturações novas, trabalhar cada vez mais próximo e em conjunto com as nossas características aqui da Serra do Japi. O queijo acaba sendo só um detalhe dentro de tudo o que fazemos aqui. Temos a uva que já entrou nas primeiras garrafas esse ano, as oliveiras que ainda estão ganhando corpo, temos o nosso café e empório, que abrimos aos fins de semana, e onde podemos mostrar com orgulho tudo o que fizemos até agora. O plano é oferecer uma experiência completa para quem nos visitar, com os queijos, vinhos, azeite, pães, geleias e mel.

O Sebrae, em parceria com o Senar, ajuda com os cursos que oferecem aos produtores, além da rede de contato e de informações para as nossas dúvidas. Se 2016 foi um ano de aprendizado e primeiros testes, em 2017 refinamos os nossos processos e começamos a desenvolver os nossos queijos. O ano de 2018 foi de formação de equipe e investimento, e agora 2019 é o ano da nossa consolidação e de crescimento. Desde 2016, meu pai e eu não recebemos pró-labore e continuamos investindo na propriedade.

Nós tratamos cada atividade como unidades de negócio diferentes. Os únicos que caminham com seus próprios recursos são a queijaria e o café. O leite, vinho e oliveira ainda precisam de nosso aporte e não misturamos as coisas. O investimento vem de capital próprio. Para quem pretende empreender, a dica é estudar bastante o que se pretende fazer, se dedicar muito e se preparar para um bom período até que o retorno apareça. Quando se tem conceito bem formado, boa estratégia, bom planejamento e muita dedicação as coisas dão certo. Só temos que estar preparados, financeiramente, psicologicamente e com muita disposição para trabalhar.”

Tags: Queijo, caso de sucesso