Proteção empresarial

Ecoturismo cresce mais de 20% ao ano

Gestão empresarial eficiente passa a ser um diferencial competitivo de mercado

Segundo a Organização Mundial do Turismo (OMT), enquanto o turismo cresce 7,5% ao ano, o ecoturismo cresce mais de 20%. Estima-se que mais de meio milhão de pessoas no Brasil pratiquem, por ano, o ecoturismo, que deve empregar cerca de 30 mil pessoas, através de, no mínimo, 5 mil empresas e instituições privadas.

Em geral, dentre as áreas protegidas, os parques nacionais, estaduais e municipais, as florestas nacionais e as Áreas de Proteção Ambiental - APAs são as escolhidas para que se pratique o ecoturismo. O Sebrae-SP apóia e participa de Projetos de Roteiros Ecoturísticos, com o intuito de utilizar de forma sustentável o patrimônio natural.

"Há uma crescente demanda para o consumo de roteiros de ecoturismo e, como conseqüência, a necessidade de um maior profissionalismo no setor. A capacitação de empresários que atuam nesta área é fundamental, uma vez que o prepara para atuar no mundo real, onde a gestão empresarial eficiente de seu negócio passa a ser um diferencial competitivo de mercado", diz Ary Scapin, consultor do Sebrae-SP.

Um deles é o de São Lourenço da Serra, a apenas 40 minutos de São Paulo. Em um dia, é possível fazer uma caminhada, ciclismo ou trilhas, vivenciando a Mata Atlântica. A região oferece três opções de Roteiros Ecoturísticos Integrados: Reserva Particular do Patrimônio Natural Paiol Maria (RPPN), Comunidade Itatuba e Integrado. Trata-se de um projeto idealizado pelo Instituto Vitae Civilis, que tem como parceiros o Sebrae-SP, em Osasco, o Ministério do Meio Ambiente e a Petrobrás.

O projeto consiste na união de esforços para a implantação de uma Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN), com o envolvimento da Comunidade de Itatuba, para a exploração do Ecoturismo Sustentável no Município de São Lourenço da Serra.

O Sebrae-SP atua neste projeto com capacitação em empreendedorismo, através de cursos, sempre voltados ao empreendedorismo e cooperativismo. Artesãos e empresários informais da Comunidade de Itatuba, que trabalham com artesanato, produção de velas e mel, foram capacitados com os cursos Aprender a Empreender, Saber Empreender e Juntos Somos Fortes.

"Passar por esta capacitação foi importante para nós, pois os cursos proporcionaram uma visão que antes não tínhamos, principalmente no que diz respeito aos custos de produção e os cálculos para obtenção correta do preço de venda. Passamos a ter noção, por exemplo, da quantidade da matéria-prima que utilizamos. Começamos a fazer um controle e pudemos visualizar onde estavam os entraves”, diz Davi Alberto Cornélio, empresário da região, que trabalha com tear manual, produzindo tapetes e cortinas

Segundo ele, houve um incremento de 30% nas vendas. Os empresários aprenderam também a contatar novos clientes. “Antes, vendíamos direto para o consumidor, hoje, já fornecemos para estabelecimentos como lojas e supermercados", afirma.

O município de São Lourenço da Serra está inserido em uma Área de Proteção de Mananciais, com amplas e diversificadas porções de Mata Atlântica. Isto atrai de maneira esporádica e desorganizada muitos turistas para a região, que acabam explorando os atrativos sem que existam ganhos para a cidade e seus habitantes.

O Projeto visa formatar os recursos naturais em atrativos turísticos, promovendo sua exploração de forma sustentável. “Já que o Ecoturismo é vocação natural da região, o objetivo é gerar trabalho e renda, visando a auto-sustentabilidade e preservação do meio ambiente", explica Adalberto Burci Nascimento, Analista do Escritório Regional de Osasco, do Sebrae-SP e Gestor do Projeto. Ele conta que foram iniciados trabalhos de sensibilização da comunidade, adequação dos locais de recepção e capacitação empreendedora e cooperativista.

Roteiros

A atividade ecoturística é algo essencialmente saudável, podendo comportar uma forte sinergia entre a prática esportiva e a natureza. Dentre as modalidades de ecoturismo destacam-se as caminhadas, campismo, canoagem, trilhas, rafting, cavalgadas e banhos de cachoeira.

No RPPN Paiol Maria é possível fazer caminhadas pesadas, moderadas ou leves, assim como ciclismo. São 11 mil metros de trilhas implantadas e monitoradas para dar o menor impacto possível à natureza. Toda a riqueza da fauna e flora do local é apresentada por jovens da região, qualificados para isso.

O local oferece um Centro de Visitantes com comida caseira, feita por mulheres da comunidade. Algumas programações incluem lanches no Canto do Rio, ao som da correnteza das águas do rio São Lourenço. O visitante poderá ainda apreciar o trabalho de artesãos da comunidade de Itatuba, no Centro de Artesanato. Este roteiro oferece cinco trilhas: Trilha das Canelas, Trilha das Águas, Trilha da Capela, Trilha Ibira-Mirim, Trilha Paiol Maria. Recebem grupos a partir de dez pessoas.
O valor do passaporte para passar um dia, sem refeições, é R$ 60,00 por pessoa, para qualquer um dos três roteiros. A estimativa do Projeto é receber cerca de 2.000 visitantes pagantes por ano. Mais informações podem ser obtidas no site www.ecoturismosls.org.br

Mais uma opção

Um outro roteiro de Ecoturismo é a Ilha do Bororé, na Represa Billings, no extremo sul da cidade de São Paulo, a 25 km do Centro. O roteiro, que abrange dois territórios, a APA Bororé-Colônia e APA Capivari-Monos, nasceu em 2006, a partir da implantação do PDTR - Programa de Desenvolvimento Turístico do Sebrae-SP, em 2003.

As decisões e ações são acordadas com representantes da comunidade interessados no desenvolvimento sustentável do turismo local, com a proposta de manter a melhoria da qualidade sócio-ambiental da região e geração de empregos para a comunidade local.

O Projeto de Desenvolvimento do Turismo, Cultura e Artesanato é elaborado através da metodologia do Sebrae-SP e direcionado ao atendimento de territórios com potencialidades turísticas. "O Sebrae-SP é responsável pelo planejamento da atividade turística na região, com seis focos: Sensibilização e envolvimento da Comunidade, Capacitação de Empresários e Operacionais, Desenvolvimento de Produtos Turísticos, Gestão e Qualidade da Atividade Turística, Comercialização de Produtos e Estrutura de Recepção ao Turista", explica Alan Félix, Analista e Gestor do projeto.

Mais de duzentas pessoas receberam capacitação, através de cursos e consultoria. Com a inserção deste roteiro, cerca de trinta famílias foram beneficiadas, uma vez que, pelo menos um membro passou a ter um trabalho.

"A vinda do Sebrae para esta região gerou outra perspectiva para a população local o que implicou em melhoria da auto-estima dessas pessoas. Antes era um local esquecido, abandonado, sem nenhuma segurança. O homem e o meio-ambiente têm que saber conviver e o Sebrae nos ajudou muito nisso, principalmente no que diz respeito ao envolvimento. A comunicação entre as pessoas melhorou", afirma Sérgio Milani, presidente da ATIBORÉ - Associação de Turismo da Ilha do Bororé.

O roteiro, com duração de um dia, custa R$ 87,32 (para grupos com até 25 pessoas), engloba quatro atrações e é monitorado por duas pessoas da comunidade que fizeram um curso da área de Turismo, na USP. Vale ressaltar que 90% da Ilha do Bororé é cercada pela Represa Billings, havendo pontos onde enxerga-se a presença da Mata Atlântica Secundária.

De acordo com dados da Fundação SOS Mata Atlântica, trata-se do bioma mais rico em biodiversidade do planeta. Ao todo, são 1.300.000 km², ou cerca de 15% do território nacional, englobando 17 estados brasileiros, atingindo até o Paraguai e a Argentina.

O passeio começa com um café da manhã colonial, que é servido durante visita à propriedade Florarte, onde são cultivados cogumelos shimeji. Ali, o visitante conhece todo o processo produtivo. A próxima parada é na Igreja São Sebastião, edificada pelos primeiros moradores da região de Bororé, patrimônio tombado pelo COMPRESP - Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo.

Em seguida, o visitante pode conhecer o Sítio Paiquerê, propriedade com 150 mil metros de área, às margens do Reservatório Billings, construída na década de 1950, que abriga arquitetura e paisagismo da época Moderna e cerca de 2.000 garças, que na época da reprodução ficam por lá. O passeio termina na Aldeia Indígena Guarani Pyau Krukutu, onde vivem cerca de duzentos índios, localizada em Parelheiros.

Serviço
Agência Sebrae de Notícias - (61) 3348-7494
Sebrae-SP - (11) 3177-4500