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Como uma empresa de alimentos se reorganizou na crise

Lucas Onofre Gibertoni, da Aidu, faz planos para nova fábrica em São Paulo

"A nossa empresa alimentícia, hoje chamada Aidu, foi criada em 1994 pelo meu pai, Renato Gibertoni Filho. Na época, ele viu uma grande oportunidade de abastecer o mercado vendendo creme chantilly. Eu entrei na fábrica ainda em 2002 a partir da necessidade de ser o sucessor dele. Embora ele nunca tivesse pensado sobre essa questão, um dos principais motivos foi ter começado a receber vários pedidos de desenvolvimento de produtos novos.

Com isso, fiquei nessa parte e também no planejamento e controle de produção. Sou formado em gastronomia, já trabalhei em restaurante, fiz um curso de dois anos de química e fiz uma especialização de ciência da panificação. Desde a fundação até hoje, nossa produção foi bem diversificada.Começamos só com o chantilly e chegamos a fazer cinco toneladas por dia, atendendo a restaurantes, motéis e hotéis, mas depois que os players grandes começaram a entrar nesse mercado fomos perdendo espaço e interesse em continuar.

Abrimos então um ramo de terceirização, queríamos continuar com toda a lucratividade que tivemos com o chantilly. Passamos a terceirizar fazendo aromas para confeitaria e corantes diversos. Também começamos a fornecer um óleo desmoldante para algumas empresas de panificação – um óleo que é passado na forma de pães e bolos para desmoldar e evitar perdas. Em uma grande empresa que utilizava nosso óleo, a perda foi de 30% dos produtos para zero.

Há cinco anos, tivemos uma oportunidade de crescimento com aerossol alimentício.Até então,ninguém fazia isso na América Latina, então ‘apanhamos’ bastante.Tivemos de encontrar parceiros que abraçassem a causa e começamos a fazer um volume pequeno, vendendo 50 caixas, o que dá de 500 a 600 latas. Na época, havíamos perdido um faturamento de 60% sem aviso prévio de uma empresa para quem fornecíamos.Precisamos fazer um empréstimo no banco para comprar as máquinas e acreditar no sonho de que daria certo – e graças a Deus deu bastante certo.

O começo da pandemia foi bem assustador, de um dia para o outro o fornecimento de terceirização foi para quase zero, já que a maioria das nossas vendas é para confeiteiros, padarias e a indústria de panificação em geral.Nas primeiras semanas, acabamos trabalhando durante três dias da semana,reduzindo as horas trabalhadas. Em março, ainda conseguimos fechar as contas no azul. Em abril, demos conta da folha de pagamento e também buscamos um empréstimo no banco para arcar com a matéria-prima do mês anterior. 

Mas, mesmo com a pandemia, desde abril estamos tendo crescimento todo mês. Tivemos uma grande ajuda das redes sociais dos nossos parceiros com o aumento das vendas pela internet. Todo mundo estava online vendo influencers divulgando as marcas, isso deu um salto nas vendas. Muitas pessoas têm comprado coisas que fornecemos para se entreter em casa, como espuma de café, espuma de gengibre para drinques etc. Isso tem auxiliado bastante nosso crescimento.

Além disso, no retorno da produção, nossas empresas parceiras precisaram renovar os estoques de produtos.Tivemos de buscar no banco um empréstimo com juros menores para conseguirmos fazer novamente a fábrica girar.Não tenho do que reclamar, nossos clientes continuam a comprar e com bastante frequência. Mesmo com todos esses problemas, estamos todos bem e com crescimento nesses últimos meses.

O Sebrae-SP teve um papel gigantesco na nossa empresa; tivemos orientação para empréstimos e também várias dicas de marketing em relação a abrir uma loja virtualna internet para vender com a nossa marca própria. Aprendemos a dar mais valor para mostrar a cara da nossa empresa na internet.

Estamos pensando em mudar a fábrica de local e o Sebrae-SP está nos ajudando a planejar. Nosso espaço é limitado para estocar por muito tempo.

Com a nova fábrica, queremos voltar a oferecer vários outros produtos, como corantes, molhos, ketchups, maioneses e barbecue, com zero sódio e zero açúcar. São clientes antigos que estão querendo voltar a usar nossos serviços porque confiam na nossa qualidade. Acredito que em três anos estaremos no novo local.”

*Estagiário sob supervisão dos editores

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