Fit e zen

Como os profissionais do bem-estar atuam de longe

Profissionais correm para se adaptar e para poder oferecer atividades físicas, yoga e meditação no mundo virtual

Nesses dias de quarentena, a sala, a varanda, o quintal ou até mesmo um cantinho no quarto viraram academia, espaço de meditação ou de exercícios de relaxamento. Com a distância forçada, os empreendedores ligados às atividades físicas e de bem-estar precisaram se adaptar para oferecer os serviços aos seus alunos de forma remota. As redes sociais e as plataformas de vídeo passaram a ser os principais canais de conexão com os clientes. 

A empresária Ruth Nakabayashi, do Centro de Treinamento de Pranic Healing, foi uma das que precisaram aderir ao mundo virtual. A quarentena fez com que a empreendedora passasse a dar mais atenção para os canais digitais: reformulou o site e as redes sociais. Todo o faturamento do negócio, com atuação em São Paulo e Taubaté, estava concentrado nos cursos e atendimentos presenciais de pranic healing (cura prânica), uma terapia baseada em energia sem toque que usa prana, chi ou energia vital do corpo para melhorar a saúde, seja ela física ou psicológica.

A primeira experiência online ocorreu em 2019 com a meditação online no Facebook para captação de alunos. “Com a quarentena e o cancelamento dos cursos, passamos a oferecer a meditação todos os dias para ajudar as pessoas a terem calma interior e equilíbrio para superar as dificuldades”, relata Ruth, que conta com audiência de pessoas de outros países. Já as aulas de yoga, retomadas depois de 20 anos, são realizadas em uma plataforma de vídeo que permite a visualização das posições dos alunos. Nesse caso, o pagamento das aulas faz parte da campanha de doação espontânea. “Não é para as pessoas ficarem estressadas com dinheiro. O aluno decide a mensalidade e, pelo menos, nos ajuda com a manutenção”, diz. A profissional também passou a realizar os atendimentos a distância e aguarda a autorização do órgão responsável pela regulamentação da prática para dar cursos online.

Do ponto de vista do negócio, levar as aulas presenciais para o ambiente virtual é a principal maneira de manter as empresas sustentáveis, aponta a analista de negócios do Sebrae-SP Carla Valéria Pessoa. “É uma saída para reter os alunos, evitando demissões e até mesmo o fechamento das empresas, pois ainda não sabemos até quando viveremos essa situação de quarentena”, afirma. 

Carla reforça que a prática de atividade física ajuda não apenas o condicionamento físico, mas também provoca sensação de bem - -estar e mantém as pessoas ativas, além de ter um papel importante no sistema imunológico. “A prática do exercício fisco neste momento passa a ser mais um aliado tanto para o corpo quanto para a mente”, destaca, reforçando que essas mensagens podem ser utilizadas pelos profissionais para divulgar seus serviços. 

DECISÃO RÁPIDA

Oferecer aulas online sempre esteve nos planos da Roma Academia, de Votuporanga, mas a pandemia fez com que a plataforma de ensino fosse colocada no ar em três dias. “A plataforma se fez necessária pelo lado financeiro, mas principalmente para continuarmos com o nosso propósito de levar saúde, alegria, conhecimento e a arte da dança para as pessoas em um momento tão complicado”, conta o sócio Rodrigo Garcia. 

Para criar a “Roma in Home Fitness”, Garcia e a sócia, Mari Mattos, contaram com a ajuda de um amigo para realizar as gravações e edições dos vídeos em um fim de semana. Ao entrar no site, o aluno tem acesso a uma série de aulas que envolvem música, como zumba, strong e fitdance, além de um guia diário de exercícios. A atualização é feita semanalmente.

Os alunos pagam R$ 49 por mês ou R$ 79 por dois meses para acessar a plataforma. Antes da pandemia, o valor do passe livre era de R$ 70 para as aulas presenciais. Para incentivar a adesão virtual, quando a academia retomar as aulas presenciais, o valor de R$ 49 mensal será mantido durante cinco meses para os usuários pagantes da academia virtual. O sucesso das aulas incentivou a empresa até a investir em uma plataforma mais robusta no futuro. “A necessidade das pessoas se exercitarem não mudou. O que mudou foi a forma de entrega e estamos nos reestruturando para isso”, afirma Garcia.

Em Ribeirão Preto, a proprietária da Ellas Fitness, Talita Danelo Alves, também precisou se reinventar. A academia utiliza um método de circuito exclusivo para mulheres, além de oferecer aulas coletivas e atendimento de nutricionista e avaliação física e mental. “Estamos trabalhando com motivação, treinos e aulas ao vivo diariamente, receitas fáceis e gostosas que a nossa nutricionista fornece. Desenvolvemos todos os dias estímulos diversos para que elas se sintam motivadas e não desistam de cuidar da saúde”, diz Talita.

A estratégia da educadora física é fazer as aulas e treinos pelas redes sociais para manter a conexão com as alunas e divulgar o trabalho para potenciais clientes. O desafio é com a gestão financeira. As alunas com as mensalidades pagas terão as aulas repostas após o retorno das atividades. Quem optar pela renovação tem a opção de comprar um voucher para uso futuro. “Isso nos auxilia como forma de entrada de dinheiro e não somente saída. Mesmo diante da insegurança, nossas alunas continuam conosco e contribuindo nesta fase tão difícil”, diz.

O desafio da professora de yoga Cleusa Mori, de Registro, também é manter o caixa saudável com a diminuição das aulas, já que muitos alunos tiveram resistência em aderir ao atendimento virtual. “Captei alguns alunos com valor bem abaixo do praticado no estúdio”, conta. Segundo ela, seu faturamento caiu 60% em abril. Para Carla Pessoa, do Sebrae-SP, para atingir o ponto de equilíbrio financeiro é preciso fazer um levantamento de custos – com provedor de internet, impulsionamento, equipamento de vídeo etc., além dos custos do local físico – e pensar em pacotes promocionais. A partir daí, é respirar fundo, meditar e esperar a crise passar.

TERAPIA ONLINE CRESCE

O isolamento social provocou um aumento no número de acessos e atendimentos nas plataformas de saúde emocional. O Zenklub, por exemplo, registrou uma alta de 160% de acessos na plataforma e um aumento de 90% no número de clientes. O período é referente ao início do isolamento (meados de março) até o fim de abril. Em março, o Conselho Federal de Psicologia publicou uma resolução para regulamentar e flexibilizar os atendimentos psicológicos durante a pandemia da Covid-19. Para dar conta dos atendimentos, o Zenklub ampliou a rede credenciada de 250 para 400 especialistas, como psicólogos, psicanalistas e terapeutas.

Durante a quarentena, a startup lançou a iniciativa #JuntosEstamosZen, que oferece atendimento de 30 minutos a R$ 1 para a primeira consulta. A empresa ainda registrou uma alta de 400% no número de empresas parceiras que passaram a oferecer o serviço para seus funcionários ou clientes como benefício. Criado em 2016, o Zenklub prevê um crescimento de 300% no faturamento no ano. O mercado também conta com outras plataformas de atendimento online, como a Telavita e a Vittude. No caso dessas duas empresas, os preços das consultas são definidos pelos psicólogos e variam de acordo com a experiência, formação e histórico do profissional.

 PARA ATUAR ONLINE

  • Escolha um bom provedor de internet para que a conexão não fique travando ou não caia durante as aulas.
  • Faça pacotes de aulas com vários tipos de preços e treinos para que o aluno possa escolher o que é melhor para o bolso neste momento de crise.
  • Trabalhe como se estivesse na academia presencialmente com seus alunos – busque tornar os treinos online humanizados. Esteja disponível nas redes socias para tirar dúvidas e dar orientações aos alunos.
  • Prepare-se para ter uma boa interação com os alunos durante os treinos e pós-treinos.
  • Assim como nas academias, coloque músicas e passe exercícios para estimular o aluno e deixar a sensação de querer continuar participando das aulas online.

Fonte: Carla Valéria Pessoa, analista de negócios do Sebrae-SP

Tags: MEI, empreendedor, estratégia