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Após sair de uma clínica de reabilitação, empresário teve a ideia de criar escola de inglês

Primeira aventura de Denis Sá como empreendedor foi em 1995, no Espírito Santo; rede Enjoy hoje tem 75 unidades em 18 Estados

“Trabalho com escolas profissionalizantes há exatos 27 anos. Eu fazia a divulgação de cursos em escolas públicas na cidade de São Paulo e gostava disso. Tive a oportunidade de mudar de vida e fazer faculdade, mas ganhava muito bem e só resolvi fazer faculdade em 2002.

Minha primeira aventura como empreendedor foi em 1995, no Espírito Santo. Lá montei dez escolas de cursos profissionalizantes dentro das escolas públicas em parceria com o governo do Estado, mas como tinha vício em drogas, acabei quebrando. Um dia decidi fechar tudo no Espírito Santo e me mudar para a Bahia, no começo de 1999, onde montei outra escola perto de Porto Seguro.

Mas eu não me sentia bem e as coisas não estavam dando certo. Por sorte, minha mãe soube da situação e foi me resgatar – não cheguei a ficar seis meses na Bahia. Quando voltei a São Paulo, em 2000, tinha o sonho de voltar a ter o meu negócio, mas o vício ainda falava mais alto. Até fui trabalhar em uma rede de escolas, mas não conseguia me equilibrar; um dia estava limpo e nos outros estava drogado. Foi quando cheguei ao fundo do poço. Fui até minha mãe e disse que não queria mais sofrer. Fiquei internado em uma clínica durante oito meses e lá conheci o Oswaldo Segantim Júnior, que viria a ser meu sócio. Eu percebia que ele falava bem e chamei-o para trabalhar comigo assim que saíssemos de lá – ele riu de mim.

Em 2002, saí da clínica e fui trabalhar em uma escola de inglês – e também foi nesse período que decidi cursar publicidade e propaganda para me aprofundar nos negócios. Foi quando tive a ideia de oferecer cursos no período da tarde e aos sábados. Teve muita demanda e acabei me tornando sócio da escola, abrindo mais unidades na cidade de São Paulo. Oswaldo saiu da clínica e acabou se tornando meu sócio.

Em 2005, nós nos desligamos dessa escola. Queríamos continuar com as escolas físicas, mas tínhamos o sonho de vender os cursos não só para alunos das escolas públicas, mas mudar o modelo comercial e tornar o negócio mais sustentável. Foi quando o Oswaldo conheceu o Empretec, do Sebrae. Ele voltou dizendo que estávamos “brincando de empresário”. A partir daí, mudamos tudo: tiramos CNPJ – básico para quem tem empresa –, começamos a colocar metas e a dar um rumo para a nossa escola de inglês.

Em 2006, com a mudança já implementada, o negócio começou a girar, decidimos nos mudar para um prédio maior, em Santo André, e também mudar de nome. Deixamos de ser “Universidade do Inglês” para nos chamarmos Enjoy. Somos uma escola de inglês profissionalizante, onde você aprende e usa o inglês em situações de trabalho.

Em 2015, decidimos virar franquia, mas erramos muito e tivemos de reformular tudo. Ficamos dois anos apenas estruturando a franquia para vender corretamente e para as pessoas certas. Contratamos um consultor, estruturamos todo o negócio e aprendemos como deveríamos fazer. Em 2017, abrimos nosso mercado para todo Brasil e hoje contamos com 75 unidades em 18 Estados.

Quando tivemos a notícia do isolamento, migramos os cursos para as plataformas online, mas percebemos que eram poucos os acessos. Então, tivemos a ideia de distribuir as apostilas para as pessoas que não tinham condições ou não sabiam como acessar.

Desenvolvemos um material que pode ser impresso em preto e branco e que ajuda esses alunos a continuar com suas aulas de inglês. Criamos até um material em inglês sobre a Covid-19 para eles ficarem sabendo mais a fundo sobre o vírus e sobre como os outros países se comportam em meio essa pandemia.

Para quem quer começar o próprio negócio, minha dica é conhecer o Empretec e fazer uma faculdade. Não pare de estudar e, se precisar, recorra ao Sebrae para tudo.”

* estagiário sob supervisão dos editores

Tags: Empretec, MEI, empreendedor, empreendedorismo de inovação